Cris Couto
Carreiras fortes começam com boas perguntas

A carreira de quem sabe fazer perguntas está mais protegida e é mais promissora do que a carreira de quem apenas espera respostas! Essa sempre foi uma certeza que se comprovou ao longo da minha trajetória profissional.
Ao longo dos anos atuando em RH, percebi que muitos profissionais chegam às agendas de 1:1 como espectadores da própria trajetória. Sentam-se diante da liderança esperando feedbacks, direcionamentos e oportunidades. Mas as conversas mais ricas costumam acontecer quando o colaborador chega preparado, com uma análise prévia e uma hipótese sobre sua própria carreira.
Na neurociência, existe um conceito chamado atenção seletiva, estudado pelo psicólogo Michael Posner. Em resumo, nosso cérebro tende a direcionar energia e perceber melhor aquilo que decidimos observar. Talvez por isso profissionais mais estratégicos pareçam enxergar oportunidades antes dos demais: eles desenvolveram o hábito de fazer perguntas melhores. Afinal, as perguntas que fazemos influenciam aquilo que percebemos.
E aqui está uma mudança simples que pode elevar muito a qualidade das suas conversas de carreira. Em vez de chegar ao 1:1 perguntando:
“Você tem algum feedback para mim?”
Experimente algo como:
“Tenho observado que me energizo mais em projetos que exigem influência entre áreas do que em atividades técnicas. Queria validar com você se essa percepção faz sentido ou se existe algo que ainda não estou enxergando.”
Percebe a diferença? Você deixa de buscar apenas uma resposta e passa a construir uma reflexão conjunta. Compartilho aqui mais alguns exemplos:
Para dialogar sobre progressão de senioridade de cargo:
“Minha hipótese é que minha principal lacuna para o próximo nível não está na execução, mas na capacidade de influenciar decisões mais amplas. Você concorda ou vê outro fator mais relevante?”
Se você tem interesse em progressão de carreira para cargo de liderança:
“Tenho interesse em construir uma carreira de liderança. Gostaria de entender quais evidências você já observa hoje que apontam para esse caminho e quais evidências ainda faltam.”
Se você vem pensando em transição de carreira:
“Tenho considerado uma transição para outra área porque percebo alinhamento com minhas motivações e competências. Antes de tomar qualquer decisão, gostaria da sua leitura sobre riscos, lacunas e oportunidades que talvez eu não esteja enxergando.”
Quando você está desengajado ou percebe que a carreira está estagnada:
“Tenho a sensação de que minha curva de crescimento desacelerou nos últimos meses. Essa percepção faz sentido para você? Se sim, qual acredita ser a principal causa?”
Se você vem pensando em construir uma vida profissional em outro país:
“Tenho interesse em construir uma carreira internacional. Quando você observa minha atuação atual, quais competências já me aproximam desse objetivo e quais ainda precisam ser desenvolvidas?”
A maioria das carreiras não fica estagnada por falta de talento. Fica estagnada por falta de reflexão. Porque quem não cria espaço para questionar seus caminhos acaba vivendo os caminhos que outras pessoas desenharam. E talvez a pergunta mais importante da sua carreira seja:
“Estou construindo a trajetória que desejo ou apenas reagindo às oportunidades que aparecem?”
Me chame para falarmos mais sobre a sua carreira!